Mundo
O que está acontecendo entre EUA e China? Biden realiza cúpula inédita com Japão e Coreia do Sul
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deu as boas-vindas a seus colegas do Japão e da Coreia do Sul em Camp David na manhã desta sexta-feira, enquanto busca consolidar uma aliança trilateral recém-fortificada, superando gerações de atrito entre as duas potências asiáticas para forjar acordos de segurança mútua diante de uma China cada vez mais assertiva.
Biden cumprimentou o primeiro-ministro Fumio Kishida do Japão e o presidente Yoon Suk-yeol da Coreia do Sul no retiro presidencial em Maryland, a primeira vez que ele convidou líderes estrangeiros para lá e a primeira vez que os líderes dos três países se reuniram em uma sessão independente, e não à margem de reuniões internacionais maiores.
“Fortalecer os laços entre nossas democracias tem sido uma prioridade para mim há muito tempo, desde quando eu era vice-presidente dos Estados Unidos”, disse Biden aos outros líderes na abertura da reunião. “Isso porque nossos países e o mundo estariam mais seguros [se estivéssemos juntos]. Quero agradecer a vocês dois pela coragem política que os trouxe aqui”.
Fumio e Yoon ecoaram os sentimentos de Biden.
“Hoje será lembrado como um dia histórico”, disse Yoon.
Kishida concordou, dizendo que o fato de os três estarem juntos “significa que estamos realmente fazendo uma nova história a partir de hoje”.
Decisões da aliança a respeito da China
Os três líderes planejam uma série de reuniões e um almoço antes de aparecerem novamente diante das câmeras para uma entrevista coletiva conjunta às 15h (16h em Brasília) para anunciar os resultados de suas discussões.
Embora os Estados Unidos sejam aliados individuais do Japão e da Coreia do Sul há muito tempo, as animosidades históricas entre Tóquio e Seul, decorrentes da ocupação brutal de 35 anos do Japão na península coreana, frustraram os esforços americanos para unir os três em uma parceria coesa. Mas os movimentos recentes de Yoon em direção à reaproximação com o Japão mudaram drasticamente a dinâmica no nordeste da Ásia, e Biden espera estabelecer um alinhamento mais próximo e duradouro.
‘Ameaça de segurança’
Funcionários do governo Biden disseram que os líderes assinariam um “compromisso de consulta” formal, um entendimento de que as três nações tratariam qualquer ameaça à segurança de uma delas como uma ameaça a todas, exigindo discussão mútua sobre como responder. A promessa não iria tão longe quanto o Artigo 5 do tratado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que obriga os aliados a “agir” no caso de um ataque a qualquer membro, mas reforçaria a expectativa de que os três agiriam em conjunto.
Os três também fortalecerão a cooperação na defesa contra mísseis balísticos, expandirão os exercícios militares trilaterais anuais e desenvolverão uma estrutura para assistência de segurança no Sudeste Asiático e nas ilhas do Pacífico. Eles também inaugurarão a primeira linha direta trilateral para que os líderes possam se comunicar com segurança em caso de crise, segundo funcionários da Casa Branca, que falaram sob condição de anonimato para discutir acordos antes de serem formalmente anunciados.
Para reforçar a sensação de uma nova era no relacionamento, os líderes se comprometerão ainda com reuniões anuais que devem continuar em governos futuros, um arranjo institucional semelhante às sessões regulares que os presidentes dos EUA têm com seus homólogos mexicanos e canadenses.
“Estamos abrindo uma nova era e estamos garantindo que essa era tenha poder de permanência”, disse Jake Sullivan, conselheiro de segurança nacional do presidente Biden, a repórteres em Camp David. “É um evento histórico e estabelece as condições para um Indo-Pacífico mais pacífico e próspero e para um Estados Unidos da América mais forte e seguro. Portanto, este é um legado digno para o presidente [Biden], para o presidente Yoon, para o primeiro-ministro Kishida”.
Mundo
Corte japonesa ordena que governo pague indenização por esterilizações forçadas
Cerca de 25 mil japoneses foram vítimas de lei que tinha objetivo de “prevenir aumento dos descendentes inferiores”
Numa decisão histórica, o Supremo Tribunal do Japão ordenou ao governo que pagasse indenizações às pessoas que foram esterilizadas à força ao abrigo de uma lei de eugenia agora extinta, decidindo que a prática era inconstitucional e violava os seus direitos.
A Lei de Proteção Eugênica, em vigor entre 1948 e 1996, permitiu às autoridades esterilizar à força pessoas com deficiência, incluindo aquelas com perturbações mentais, doenças hereditárias ou deformidades físicas e lepra. Também permitia abortos forçados se um dos pais tivesse essas condições.
A lei tinha como objetivo “prevenir o aumento dos descendentes inferiores do ponto de vista eugênico e também proteger a vida e a saúde da mãe”, segundo uma cópia da lei – que listava “notável desejo sexual anormal” e “notável inclinação clínica” entre as condições visadas.
Cerca de 25 mil pessoas foram esterilizadas sem consentimento durante esse período, de acordo com a decisão do tribunal, citando dados do ministério.
Embora o governo tenha oferecido compensar cada vítima em 3,2 milhões de ienes (cerca de US$ 19,8 mil) em 2019, ao abrigo de uma lei de assistência, as vítimas e os seus apoiadores argumentaram que isso estava longe de ser suficiente.
A decisão de quarta-feira (3) abordou cinco ações desse tipo, movidas por demandantes de todo o país em tribunais inferiores, que depois avançaram para a Suprema Corte.
Em quatro desses casos, os tribunais inferiores decidiram a favor dos demandantes – o que o Supremo Tribunal confirmou na quarta-feira, ordenando ao governo que pagasse 16,5 milhões de ienes (cerca de US$ 102 mil) aos atingidos e 2,2 milhões de ienes (US$13 mil) aos seus cônjuges.
No quinto caso, o tribunal de primeira instância decidiu contra os demandantes e rejeitou o caso, citando o prazo de prescrição de 20 anos. O Supremo Tribunal anulou esta decisão na quarta-feira, qualificando o estatuto de “inaceitável” e “extremamente contrário aos princípios de justiça e equidade”.
O caso agora é enviado de volta ao tribunal de primeira instância para determinar quanto o governo deve pagar.
“A intenção legislativa da antiga Lei de Proteção Eugênica não pode ser justificada à luz das condições sociais da época”, disse o juiz Saburo Tokura ao proferir a sentença, segundo a emissora pública NHK.
“A lei impõe um grave sacrifício sob a forma de perda da capacidade reprodutiva, o que é extremamente contrário ao espírito de respeito pela dignidade e personalidade individuais, e viola o artigo 13º da Constituição”, acrescentou – referindo-se ao direito de cada pessoa à vida, liberdade e a busca pela felicidade.
Após a decisão de quarta-feira, os manifestantes do fora do tribunal – homens e mulheres idosos, muitos em cadeiras de rodas – celebraram com os seus advogados e apoiadores, erguendo faixas onde se lia “vitória”.
Eles estão entre o total de 39 demandantes que entraram com ações judiciais nos últimos anos – seis deles morreram desde então, de acordo com a NHK, destacando a urgência desses casos à medida que as vítimas chegam aos seus anos finais.
Numa conferência de imprensa após a decisão do tribunal, o secretário-chefe do gabinete, Yoshimasa Hayashi, expressou o remorso e o pedido de desculpas do governo às vítimas, informou a NHK. O governo pagará prontamente a compensação e considerará outras medidas, como uma reunião entre os demandantes e o primeiro-ministro Fumio Kishida, disse ele.
Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.
versão original
Mundo
Polícia desmobiliza protesto pró-Palestina no parlamento australiano
Manifestantes carregavam faixa em que denunciavam Israel por crimes de guerra
Quatro manifestantes pró-Palestina foram levados sob custódia policial nesta quinta-feira (4) depois de escalarem o telhado do parlamento australiano em Canberra.
Os manifestantes, vestidos com roupas escuras, permaneceram no telhado do prédio por cerca de uma hora. Eles estenderam faixas pretas, incluindo uma que dizia “Do rio ao mar, a Palestina será livre”, um refrão comum dos manifestantes pró-Palestina, e entoaram slogans.
Os manifestantes empacotaram suas faixas antes de serem levados pela polícia que os aguardava por volta das 11h30, horário local.
Mundo
Reino Unido vai às urnas hoje em eleição que deve tirar Conservadores do poder
País se prepara para entrar em uma nova era política com provável derrota do grupo há 14 anos no comando
Os britânicos vão às urnas nesta quinta-feira (4) em uma votação histórica para eleger um novo parlamento e governo nas eleições gerais. Pesquisas atuais indicam que o atual primeiro-ministro Rishi Sunak, do Partido Conservador, vai perder, encerrando uma era de 14 anos do grupo no poder.
A eleição é um referendo sobre o tumultuado governo dos Conservadores, que estão no comando do Reino Unido desde 2010 e passaram por uma crise financeira global, o Brexit e a pandemia.
Se os Trabalhistas obtiverem 419 assentos ou mais, será o maior número de assentos já conquistados por um único partido, superando a vitória esmagadora de Tony Blair em 1997.
Como funcionam as eleições?
O parlamento britânico tem 650 assentos. Para ter maioria, é preciso conseguir 326 assentos.
Após uma campanha de semanas, as urnas serão abertas às 7h, no horário local, desta quinta-feira (3h, horário de Brasília), e permanecerão abertas até às 22h.
Os britânicos podem votar em cada um dos 650 distritos eleitorais do país, selecionando o candidato que representará a área.
O líder do partido que ganhar a maioria desses distritos eleitorais se torna primeiro-ministro e pode formar um governo.
Se não houver maioria, eles precisam procurar ajuda em outro lugar, governando como um governo minoritário — como Theresa May fez após um resultado acirrado em 2017 — ou formando uma coalizão, como David Cameron fez depois de 2010.
O monarca tem um papel importante, embora simbólico. O rei Charles III deve aprovar a formação de um governo, a decisão de realizar uma eleição e a dissolução do Parlamento. O rei nunca contradiz seu primeiro-ministro ou anula os resultados de uma eleição.
A votação antecipada desta quarta-feira (4) foi convocada por Sunak. O atual primeiro-ministro era obrigado a divulgar uma eleição até janeiro de 2025, mas a decisão de quando fazê-lo cabia somente a ele.
O evento, contudo, provavelmente inaugurará um governo de centro-esquerda liderado pelo ex-advogado, Keir Starmer.
Quem é Keir Starmer?
O rival de Rishi Sunak é o líder trabalhista Keir Starmer, que é amplamente favorito para se tornar o novo primeiro-ministro britânico.
Ex-advogado de direitos humanos muito respeitado que então atuou como o promotor mais sênior do Reino Unido, Starmer entrou na política tarde na vida.
Starmer se tornou um parlamentar trabalhista em 2015 e menos de cinco anos depois era o líder do partido, após uma passagem como secretário do Brexit no Gabinete Paralelo durante a saída prolongada do Reino Unido da União Europeia.
O britânico herdou um partido que se recuperava de sua pior derrota eleitoral em gerações, mas priorizou uma reformulação da cultura, se desculpando publicamente por um escândalo de antissemitismo de longa data que manchou a posição do grupo com o público.
Starmer tentou reivindicar o centro político do Reino Unido e é descrito por seus apoiadores como um líder sério e de princípios. Mas seus oponentes, tanto na esquerda de seu próprio partido quanto na direita do espectro político, dizem que ele não tem carisma e ideias, e o acusam de não ter conseguido estabelecer uma visão ambiciosa e ampla para a nação.
Quando saíram os resultados?
Após a abertura das urnas nesta quinta-feira (3), a mídia britânica estará proibida de discutir qualquer coisa que possa afetar a votação.
Mas no momento que a votação acabar, uma pesquisa de boca de urna será divulgada e definirá o curso da noite. A pesquisa, feita pela Ipsos para a BBC, ITV e Sky, projeta a distribuição de assentos do novo parlamento, e historicamente tem sido muito precisa.
Os resultados reais são contados ao longo da noite; o escopo do resultado da noite geralmente fica claro por volta das 3 da manhã, horário local (23h, horário de Brasília), e o novo primeiro-ministro geralmente assume o cargo ao meio-dia.
Mas as coisas podem demorar mais se o resultado for apertado ou se as vagas principais forem decididas na reta final.
De qualquer forma, a transferência de poder acontecerá no fim de semana, dando ao novo governo algumas semanas para trabalhar em legislações importantes antes do recesso parlamentar de verão.
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