A Eurostar reiniciou gradualmente nesta quarta-feira (31) o funcionamento dos trens entre Londres e a Europa continental, após um problema que paralisou o tráfego no túnel sob o Canal da Mancha, conforme comunicado da empresa.
“O problema relacionado ao fornecimento de energia elétrica no túnel do Canal da Mancha foi solucionado durante a noite, permitindo a retomada completa da operação”, declarou a Getlink, responsável pela administração do túnel.
“O trânsito no túnel foi restabelecido em ambas as direções durante a noite”, afirmou a operadora em nota oficial.
Na terça-feira, o serviço entre Londres e o continente europeu foi suspenso, afetando inúmeros passageiros em meio à alta temporada, com cancelamentos e atrasos expressivos.
Os trabalhos para normalizar a situação avançaram na manhã desta quarta-feira.
“Esperamos operar todos os nossos trens hoje, mas atrasos e cancelamentos inesperados ainda podem ocorrer em função das consequências do incidente”, disse a Eurostar.
O serviço Le Shuttle, que transporta veículos entre França e Reino Unido, também experimentou atrasos neste mesmo dia.
De acordo com a mídia francesa BFMTV, alguns passageiros passaram a noite inteira confinados em um trem Eurostar sem eletricidade, aquecimento ou acesso a banheiros.
Na estação de St. Pancras, em Londres, e na estação Norte de Paris, a AFP colheu relatos de passageiros sobre o difícil episódio noturno, especialmente turistas que viajavam para as festas de fim de ano.
Para Christelle Renouf, residente em Caen, norte da França, foram “doze horas de atraso”, comprometendo o encerramento de uma “agradável viagem” natalina com seu esposo e filhos.
Após um atraso inicial de 45 minutos na terça-feira à noite, o trem parou por uma hora devido à falta de pessoal e teve uma segunda parada próxima ao túnel, causada pela queda de um cabo sobre o vagão 4.
Este incidente somou-se a uma falha na alimentação elétrica dentro do túnel do Canal da Mancha ocorrido na terça-feira.
“Fomos informados repetidamente que o trem partiria em 20 minutos, mas a partida nunca aconteceu. Não havia estrutura no vagão-bar. Por volta das 3 da manhã, ofereceram apenas biscoitos e água, enquanto muitos tentavam dormir. Ficamos presos sem eletricidade, água ou wifi”, descreveu uma passageira.
“Vi uma senhora passar por uma crise de pânico”, relatou ao desembarcar em Paris.
A companhia, que também opera rotas para Bruxelas e Amsterdã, transportou no ano anterior um total recorde de 19,5 milhões de passageiros, superando em 850 mil o volume de 2023.

