Mundo
Na ONU, Biden diz que guerra na Ucrânia é “brutal e desnecessária” e culpa Putin
Em fala na Assembleia Geral da ONU horas depois de Putin declarar convocação de mais soldados, Biden disse que conflito na Ucrânia é “guerra de um homem só”
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, usou boa parte de seu discurso na 77ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) para criticar as ações da Rússia na Ucrânia. Biden disse na fala desta quarta-feira, 20, que a guerra é “brutal e desnecessária” e que os EUA defendem uma “diplomacia incansável”, mas que continuará apoiando a Ucrânia no embate.
“[É] uma guerra decidida por um só homem, para ser muito claro”, disse Biden sobre o conflito, em referência ao presidente russo, Vladimir Putin. “Vamos ser claros: um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas invadiu seu vizinho, tentando apagar um Estado soberano do mapa”, disse.
A fala de Biden ocorreu horas depois de a Rússia chamar milhares de reservistas para se juntar à guerra na Ucrânia, uma resposta aos avanços que o lado ucraniano vinha obtendo nas últimas semanas. O exército ucraniano recuperou áreas estratégicas no leste e sul do país, em movimentação vista como uma derrota para a Rússia de Putin.
“Agora a Rússia está convocando mais soldados para se juntar à luta, e o Kremlin está organizando um vergonhoso referendo para anexar partes da Ucrânia, em extrema violação da Carta das Nações Unidas”, disse Biden, em referência ao documento de 1945 que deu origem à organização.
Biden se defendeu de acusações de que os EUA incentivaram a guerra com a expansão da Otan, aliança militar do Atlântico Norte que EUA e países europeus lideram. O presidente citou falas de Putin de que a Ucrânia foi “criada pela Rússia” e disse que o país tem o direito a um Estado soberano.
“Putin alega que ele tinha que agir, porque a Rússia estava ameaçada. Mas ninguém ameaçou a Rússia. E ninguém, além da Rússia, buscou conflito”, disse.
Putin não compareceu à Assembleia Geral da ONU, que acontece ao longo da semana em Nova York, com a presença de mais de 130 chefes de Estado e de governo. O presidente chinês, Xi Jinping, que tem sido um dos aliados diretos e indiretos da Rússia na guerra, também não foi ao evento e enviou representantes.
Biden afirmou que os EUA estão comprometidos com um mundo de “diplomacia incansável”, mas defendeu que somente a Rússia tem ficado no caminho de um entendimento diplomático para por fim ao conflito. A guerra na Ucrânia já dura mais de seis meses, após ter sido iniciada em 24 de fevereiro com os primeiros ataques oficiais da Rússia a Kiev, capital ucraniana, e outras regiões.
“Se nações puderem perseguir suas ambições imperiais sem consequências, colocamos em risco tudo que essa instituição [a ONU] defende”, disse Biden.
“Como vocês, os EUA querem que essa guerra termine. Em termos justos”, disse. “O único país no caminho disso é a Rússia.”
A Assembleia Geral da ONU começou oficialmente na semana passada, embora a presença de líderes mundiais a partir desta semana seja a parte mais aguardada – além dos discursos, o evento é chamado de “super bowl dos diplomatas”, em referência à final do futebol americano, por sua importância nas negociações de bastidores. Na terça-feira, 19, foi a vez do presidente Jair Bolsonaro discursar, abrindo a etapa de falas dos líderes no evento, como é tradição que os presidentes brasileiros façam (veja aqui os destaques).
Biden anuncia US$ 2,9 bi contra a fome
Além da guerra, Biden usou parte do discurso para falar sobre o avanço da fome no mundo e as questões climáticas. No discurso, anunciou que os EUA disponibilizarão US$ 2,9 bilhões neste ano para combate à insegurança alimentar no mundo.
O presidente americano também disse que a luta contra o aquecimento global é urgente e afirmou que, sob sua gestão, os EUA voltaram ao Acordo de Paris (do qual o ex-presidente Donald Trump havia se retirado). Seu governo, segundo ele, ajudou a colocar de volta os EUA e “dois terços do PIB no eixo” para limitar a alta da temperatura global a 1,5ºC.
O americano também apontou a aprovação recente de US$ 369 bilhões em um pacote de transição energética pelo governo dos EUA e disse que os investimentos ajudarão a incentivar o desenvolvimento de tecnologias limpas “em todo o mundo, não só nos EUA”.
Pressionado em casa e no exterior
A fala deste ano é a segunda de Biden na Assembleia Geral da ONU. No ano passado, Biden fez seu primeiro discurso após ser eleito meses antes, em 2020. Na época, seu governo recém-empossado vinha pressionado pela saída desastrada dos EUA do Afeganistão.
No ano passado, Biden havia feito um discurso defendendo integração global e tentando mostrar que os EUA estavam “de volta” a um papel de liderança no mundo, na tentativa de marcar sua oposição às falas feitas anos antes no mesmo evento pelo ex-presidente Donald Trump.
Desde então, além da guerra na Ucrânia, o governo Biden tem sido assolado por uma série de crises externas e em casa. Dentro dos EUA, sua popularidade despencou em meio à alta na inflação, acentuada pelos choques de oferta gerados pela guerra.
A alta no custo de vida tem sido especialmente sensível para Biden à medida em que os EUA se aproximam das eleições legislativas de meio de mandato em novembro, as chamadas midterms, que renovarão parte do Congresso. Pelas pesquisas, os democratas, do partido de Biden, estão ameaçados de perder sua maioria legislativa para os republicanos, de oposição.
Mundo
Corte japonesa ordena que governo pague indenização por esterilizações forçadas
Cerca de 25 mil japoneses foram vítimas de lei que tinha objetivo de “prevenir aumento dos descendentes inferiores”
Numa decisão histórica, o Supremo Tribunal do Japão ordenou ao governo que pagasse indenizações às pessoas que foram esterilizadas à força ao abrigo de uma lei de eugenia agora extinta, decidindo que a prática era inconstitucional e violava os seus direitos.
A Lei de Proteção Eugênica, em vigor entre 1948 e 1996, permitiu às autoridades esterilizar à força pessoas com deficiência, incluindo aquelas com perturbações mentais, doenças hereditárias ou deformidades físicas e lepra. Também permitia abortos forçados se um dos pais tivesse essas condições.
A lei tinha como objetivo “prevenir o aumento dos descendentes inferiores do ponto de vista eugênico e também proteger a vida e a saúde da mãe”, segundo uma cópia da lei – que listava “notável desejo sexual anormal” e “notável inclinação clínica” entre as condições visadas.
Cerca de 25 mil pessoas foram esterilizadas sem consentimento durante esse período, de acordo com a decisão do tribunal, citando dados do ministério.
Embora o governo tenha oferecido compensar cada vítima em 3,2 milhões de ienes (cerca de US$ 19,8 mil) em 2019, ao abrigo de uma lei de assistência, as vítimas e os seus apoiadores argumentaram que isso estava longe de ser suficiente.
A decisão de quarta-feira (3) abordou cinco ações desse tipo, movidas por demandantes de todo o país em tribunais inferiores, que depois avançaram para a Suprema Corte.
Em quatro desses casos, os tribunais inferiores decidiram a favor dos demandantes – o que o Supremo Tribunal confirmou na quarta-feira, ordenando ao governo que pagasse 16,5 milhões de ienes (cerca de US$ 102 mil) aos atingidos e 2,2 milhões de ienes (US$13 mil) aos seus cônjuges.
No quinto caso, o tribunal de primeira instância decidiu contra os demandantes e rejeitou o caso, citando o prazo de prescrição de 20 anos. O Supremo Tribunal anulou esta decisão na quarta-feira, qualificando o estatuto de “inaceitável” e “extremamente contrário aos princípios de justiça e equidade”.
O caso agora é enviado de volta ao tribunal de primeira instância para determinar quanto o governo deve pagar.
“A intenção legislativa da antiga Lei de Proteção Eugênica não pode ser justificada à luz das condições sociais da época”, disse o juiz Saburo Tokura ao proferir a sentença, segundo a emissora pública NHK.
“A lei impõe um grave sacrifício sob a forma de perda da capacidade reprodutiva, o que é extremamente contrário ao espírito de respeito pela dignidade e personalidade individuais, e viola o artigo 13º da Constituição”, acrescentou – referindo-se ao direito de cada pessoa à vida, liberdade e a busca pela felicidade.
Após a decisão de quarta-feira, os manifestantes do fora do tribunal – homens e mulheres idosos, muitos em cadeiras de rodas – celebraram com os seus advogados e apoiadores, erguendo faixas onde se lia “vitória”.
Eles estão entre o total de 39 demandantes que entraram com ações judiciais nos últimos anos – seis deles morreram desde então, de acordo com a NHK, destacando a urgência desses casos à medida que as vítimas chegam aos seus anos finais.
Numa conferência de imprensa após a decisão do tribunal, o secretário-chefe do gabinete, Yoshimasa Hayashi, expressou o remorso e o pedido de desculpas do governo às vítimas, informou a NHK. O governo pagará prontamente a compensação e considerará outras medidas, como uma reunião entre os demandantes e o primeiro-ministro Fumio Kishida, disse ele.
Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.
versão original
Mundo
Polícia desmobiliza protesto pró-Palestina no parlamento australiano
Manifestantes carregavam faixa em que denunciavam Israel por crimes de guerra
Quatro manifestantes pró-Palestina foram levados sob custódia policial nesta quinta-feira (4) depois de escalarem o telhado do parlamento australiano em Canberra.
Os manifestantes, vestidos com roupas escuras, permaneceram no telhado do prédio por cerca de uma hora. Eles estenderam faixas pretas, incluindo uma que dizia “Do rio ao mar, a Palestina será livre”, um refrão comum dos manifestantes pró-Palestina, e entoaram slogans.
Os manifestantes empacotaram suas faixas antes de serem levados pela polícia que os aguardava por volta das 11h30, horário local.
Mundo
Reino Unido vai às urnas hoje em eleição que deve tirar Conservadores do poder
País se prepara para entrar em uma nova era política com provável derrota do grupo há 14 anos no comando
Os britânicos vão às urnas nesta quinta-feira (4) em uma votação histórica para eleger um novo parlamento e governo nas eleições gerais. Pesquisas atuais indicam que o atual primeiro-ministro Rishi Sunak, do Partido Conservador, vai perder, encerrando uma era de 14 anos do grupo no poder.
A eleição é um referendo sobre o tumultuado governo dos Conservadores, que estão no comando do Reino Unido desde 2010 e passaram por uma crise financeira global, o Brexit e a pandemia.
Se os Trabalhistas obtiverem 419 assentos ou mais, será o maior número de assentos já conquistados por um único partido, superando a vitória esmagadora de Tony Blair em 1997.
Como funcionam as eleições?
O parlamento britânico tem 650 assentos. Para ter maioria, é preciso conseguir 326 assentos.
Após uma campanha de semanas, as urnas serão abertas às 7h, no horário local, desta quinta-feira (3h, horário de Brasília), e permanecerão abertas até às 22h.
Os britânicos podem votar em cada um dos 650 distritos eleitorais do país, selecionando o candidato que representará a área.
O líder do partido que ganhar a maioria desses distritos eleitorais se torna primeiro-ministro e pode formar um governo.
Se não houver maioria, eles precisam procurar ajuda em outro lugar, governando como um governo minoritário — como Theresa May fez após um resultado acirrado em 2017 — ou formando uma coalizão, como David Cameron fez depois de 2010.
O monarca tem um papel importante, embora simbólico. O rei Charles III deve aprovar a formação de um governo, a decisão de realizar uma eleição e a dissolução do Parlamento. O rei nunca contradiz seu primeiro-ministro ou anula os resultados de uma eleição.
A votação antecipada desta quarta-feira (4) foi convocada por Sunak. O atual primeiro-ministro era obrigado a divulgar uma eleição até janeiro de 2025, mas a decisão de quando fazê-lo cabia somente a ele.
O evento, contudo, provavelmente inaugurará um governo de centro-esquerda liderado pelo ex-advogado, Keir Starmer.
Quem é Keir Starmer?
O rival de Rishi Sunak é o líder trabalhista Keir Starmer, que é amplamente favorito para se tornar o novo primeiro-ministro britânico.
Ex-advogado de direitos humanos muito respeitado que então atuou como o promotor mais sênior do Reino Unido, Starmer entrou na política tarde na vida.
Starmer se tornou um parlamentar trabalhista em 2015 e menos de cinco anos depois era o líder do partido, após uma passagem como secretário do Brexit no Gabinete Paralelo durante a saída prolongada do Reino Unido da União Europeia.
O britânico herdou um partido que se recuperava de sua pior derrota eleitoral em gerações, mas priorizou uma reformulação da cultura, se desculpando publicamente por um escândalo de antissemitismo de longa data que manchou a posição do grupo com o público.
Starmer tentou reivindicar o centro político do Reino Unido e é descrito por seus apoiadores como um líder sério e de princípios. Mas seus oponentes, tanto na esquerda de seu próprio partido quanto na direita do espectro político, dizem que ele não tem carisma e ideias, e o acusam de não ter conseguido estabelecer uma visão ambiciosa e ampla para a nação.
Quando saíram os resultados?
Após a abertura das urnas nesta quinta-feira (3), a mídia britânica estará proibida de discutir qualquer coisa que possa afetar a votação.
Mas no momento que a votação acabar, uma pesquisa de boca de urna será divulgada e definirá o curso da noite. A pesquisa, feita pela Ipsos para a BBC, ITV e Sky, projeta a distribuição de assentos do novo parlamento, e historicamente tem sido muito precisa.
Os resultados reais são contados ao longo da noite; o escopo do resultado da noite geralmente fica claro por volta das 3 da manhã, horário local (23h, horário de Brasília), e o novo primeiro-ministro geralmente assume o cargo ao meio-dia.
Mas as coisas podem demorar mais se o resultado for apertado ou se as vagas principais forem decididas na reta final.
De qualquer forma, a transferência de poder acontecerá no fim de semana, dando ao novo governo algumas semanas para trabalhar em legislações importantes antes do recesso parlamentar de verão.
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