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Fala de Zuckerberg seria linda se ele fosse CEO dos EUA, não do Facebook

Para livrar a empresa, um monopólio, de interferências, o magnata despreza questões centrais e finge ser um paladino. Por que isso importa a brasileiros?

Zuckerberg: fala como se fosse um Benjamin Franklin… mas tá mais para um típico magnata monopolista (Facebook/Facebook)

Hoje (17), há pouco, Mark Zuckerberg realizou um pronunciamento realmente impactante, em discurso na Universidade de Georgetown (EUA). “Alguém me disse que os Founding Fathers viam a liberdade de expressão como o ar. Ninguém sente falta, até que suma”, proclamou Zuck, em entonação que realmente transpirava um cheiro de “Founding Father”. Quem eram os tais Founding Fathers? Esse é o apelido dado ao grupo de estadunidenses que, no fim do século XVIII, enfrentou a Inglaterra e conquistou a independência dos Estados Unidos. A referência em que o criador e CEO do Facebook se apoiou representa bem o tom de seu discurso. Zuckerberg se portou como um paladino da liberdade de expressão, um guerreiro contra as ditaduras de todo o planeta, a salvaguarda da opinião de todos nós. O problema: por trás do verniz, a verdade é que ele não é nada disso.

Zuckerberg não é John Adams, Thomas Jefferson, muito menos um Benjamin Franklin. Ele está mais para Rockefeller ou Bill Gates. E isso não é uma crítica direta à figura. Rockefeller e Gates são memoráveis, admiráveis, em muitos sentidos. Contudo, tratam-se de magnatas monopolistas, defensores de interesses individuais e corporativos. Estão longe, muito longe, de serem escudos da democracia. Aliás, pelo contrário: nos três casos, em diversos momentos, portaram-se como agressores do sistema democrático. Isso porque Rockefeller, Gates e Zuckerberg não são, digamos assim, CEOs dos EUA – apesar de em alguns lapsos parecerem querer ser.

O mandachuva do Facebook desfilou frases de efeito. Para ele, a rede social seria uma forma de “dar voz”, “garantir a liberdade de expressão”. Tentar enfrentar o Facebook, pela lógica, seria “mais danoso à democracia do que qualquer tipo de discurso”. Quer saber um tipo de discurso danoso à democracia? O de Zuckerberg em Georgetown.

Ocorre que o magnata inverte valores, fingindo ser papel dele promover a liberdade de expressão não só nos EUA, como em todo o planeta (?!?!?!). Contudo, ele parece ter se esquecido dos reais problemas que envolvem sua criação.

Primeiro: o Facebook é um monopólio. Em acréscimo, são os algoritmos do site que decidem quais tipos de discursos, de mídias, de celebridades, de falas, de políticos, merecem destaque maior, ou menor, na plataforma. Na prática, isso transforma a invenção, aliás, não numa plataforma, mas em uma mídia. Aqui ao se considerar como pensadores das célebres escolas de Toronto e Chicago definiam “mídia”: os poderes mediadores da estrutura de valores simbólicos que rege uma sociedade.

O empreendedor parece encenar que não tem esse papel. Seria ele apenas um microfone para a sociedade? Nada disso. O Facebook atua como mediador de discursos, claramente privilegiando uns, desprivilegiando outros.

A constatação não é simplesmente jogada ao ar. Chris Hughes, também um dos criadores do Facebook (e ex-amigo de Zuckerberg), já apontou, publicamente, e com “raiva e responsabilidade”, que o produto que deixou ao mundo é uma “ameaça à democracia”. Nas palavras de Chris Hughes: “Controla as três das principais plataformas de comunicação – Facebook, Instagram e WhatsApp – (…) O conselho do Facebook é mais como um comitê (…) porque Mark controla em torno de 60% das ações com direito a votos. Mark, sozinho, (…) faz as regras de como distinguir falas incendiárias e violentas das meramente ofensivas, e escolhe fechar um concorrente o adquirindo, bloqueando ou imitando”.

Quer dizer que é para fechar o Facebook? Não. Nada disso.

Apesar de Zuckerberg fingir que o ameaçam disso, não passa de balela. Nos bastidores, sabe-se que o magnata tem receio de políticos como a democrata Elizabeth Warren, pré-candidata à presidência nos EUA, cujas eleições ocorrem no ano que vem. O que ela (e vários outros, principalmente em meio à comunidade europeia) propõe está longe de ser uma destruição da rede social. Pelo contrário, sugere-se que se multipliquem sites e apps do tipo. Ela (e outros…) quer muitas e muitas redes sociais, proliferando-se. E isso seria magnífico para a sociedade, para o bem estar da política, para a democracia.

Tem uma ironia aí. Se voltarmos a algumas eleições passadas, Zuckerberg – apesar de ser financiador de campanhas de todos os tipos de políticos, de quase qualquer ideologia (para garantir uns votos no lobby do Congresso estadunidense) – se portava como um democrata. Era clara a admiração dele, e de vários outros ícones do Vale do Silício, a, por exemplo, Barack Obama. Assim como tinham ojeriza a Donald Trump (ou assim aparentavam).

Agora, o mandachuva se volta contra os democratas. Por quê? Pois o que Elizabeth Warren propõe é diminuir o poder do Facebook. Isso justamente para garantir a plenitude da democracia dos EUA. Ela quer impor que, por exemplo, o Instagram deixe de ser de propriedade de Zuckerberg e passe a se tornar uma concorrência – ou seja, uma empresa à parte, liderada por outras cabeças.

No mundo ideal para a democracia, seria assim mesmo. Como o Facebook filtra, sim, com seus algoritmos, o que vemos, o que vale, qual informação se espalha, seria bom ter mais opções de peso. Mais Snapchats, Instagrans, TikToks. Sim, TikToks.

Em sua fala, Zuckerberg mencionou também o novo app chinês, febre entre adolescentes e que tem ameaçado o poderio de seu império. Veja bem: sim, o TikTok é de causar calafrios. Não se sabe bem como são utilizados os dados coletados; há nele muita pornografia direcionada a jovens, incluindo várias de conteúdo criminoso, pedófilo; e ele ainda espalha a cultura de censura e controle da ditadura chinesa. Deveria haver regras mais claras para permitir o TikTok em diversos mercados (inclusive, no Brasil).

Porém, até onde é democrático Zuckerberg se portar como o cavaleiro brilhante que nos defenderá da China? Ao condenar o rival asiático, não se engane: ele não protege a liberdade de expressão; mas, sim, a imposição de sua visão cultural, do modo de vida e de pensar do Vale do Silício. Caso ele realmente defendesse a democracia, seria muito melhor se ele apoiasse, por exemplo, a multiplicação de redes sociais, de variadas nacionalidades, ideologias, regradas tão-somente pela… Justiça. Justiça esta não imposta por ele mesmo, o todo-poderoso Zuck. Mas, sim, por cada país, sendo estes respaldados por órgãos internacionais, como a ONU.

O empreendedor ainda engana seu público ao dizer que o Facebook promove a liberdade de expressão ao dar maior poder a cada indivíduo. Vale lembrar aqui dos livros de um brilhante filósofo de nossos tempo: Byung-chul Han. Certamente Zuckerberg, em sua óbvia genialidade, está a par de livros como “No Enxame”, “Sociedade do Cansaço” e “Sociedade da Transparência”.

Byung-chul Han elabora bem como funciona a estrutura do Facebook (ou do Twitter, ou do YouTube, ou do Instagram, ou do WhatsApp, ou do TikTok). Nesses ambientes, cada usuário parece ter uma voz. Mas só parece.

Na prática, o que ocorre é o que o filósofo define como Shitstorm. Cria-se uma “tempestade de merda” (se preferir, em português contido: “tempestade de indignação”). Parte-se de um post de um indivíduo carismático, seja ele Bolsonaro, Trump, Olavo de Carvalho, ou qual for. A mensagem não representa um grupo, uma comunidade, uma sociedade. Mas o ódio a um alvo específico, usualmente fruto de elementos mantenedores da democracia representativa – ou seja, movimentos como o LGBTQ+, organizações de trabalhadores, instituições ambientalistas etc. Assim a merda, ou “indignação”, é jogada no ventilador do Facebook. Espalha-se entre outros indivíduos, sufocados por tanta bosta, cansados de tanta informação crua tão-somente vomitada nas redes – sem promover qualquer formação de conhecimento (seja de qual ideologia for).

Vou pular alguns capítulos para resumir o efeito da citada tempestade. A epidemia gera o que Byung-chul Han define como “enxame”. Um novo tipo de massa, na qual cada indivíduo, cada usuário das redes sociais, porta-se como uma abelha aflita para picar a todos, indiscriminadamente. Essa “abelha” até acha que está agindo sob total autocontrole. É justamente a ilusão pretendida; pois, por trás da cortina do marketing promovido por figuras como Zuckerberg, portam-se é como seres indignados atrás de um ódio a tudo e qualquer coisa (seja essa coisa “de direita”, ou “de esquerda”, ou de nenhum dos dois; para as abelhas, tanto faz), movendo-se em torno do que ditam os ditadores do Shitstorm e, ainda, os algoritmos das redes.

O inspirado Zuckerberg lembrou, em sua extremamente bem lapidada e carismática fala em Georgetown, das Guerras Mundiais. Diz que naquela época houve extrema polarização devido ao cerco à liberdade de expressão. É verdade. Todavia, parece se esquecer de três elementos essenciais que surgiram no início do século XX e que, então pouco escrutinados pela sociedade, foram dominados por figuras poderosas, carismáticas, influentes. Aqui falo da TV, do rádio e da propaganda.

Foi ao manipular com êxito tais técnicas de comunicação que ditadores se alçaram. Caso, sim, de Hitler. Um de seus maiores poderes era o controle do cinema, da rádio, da TV, da propaganda. Antes de eclodir a Segunda Guerra Mundial, poucos davam atenção a como essas então novas tecnologias podiam ser utilizadas para fins extremamente danosos. Celebrava-se como os novos meios espalhavam informação, e “liberdade” (em meio a aspas, frente ao contexto aqui apresentado). No entanto, da forma como eram utilizadas por figuras como Hitler, provaram-se poderosas ferramentas de controle social.

Sabe o que hoje representa, em equivalência teórica, a TV, o rádio, a propaganda, o cinema do início do século XX? As mídias sociais. Estas podem ser utilizadas com êxito por figuras autoritárias para glorificar o poder individual e assim impor visões de mundo, estas igualmente individualizadas. Numa tempestade, contaminam o enxame das redes, direcionando-o para onde se quer.

Sabe como se mitigaram os malefícios, em favor dos gloriosos benefícios, das tecnologias do século XX? Com leis, regulações, enfrentamentos a monopólios. Métodos que para desinformados podem parecer de poderio total do Estado. Nada disso. Trata-se de tirar o poder de magnatas e de líderes carismáticos (mas com intenções obscuras; incluindo aí justamente autoridades do Estado), e submetê-los à sociedade, como um todo, sendo essa representada não por um ou outro indivíduo, mas por diversos grupos que, cada um em seu consenso, refletem as vontades de setores sociais-políticos específicos. Sabe qual é o nome dado a esse cenário? Democracia representativa. É exatamente contra esse sistema, o democrático, que atenta o monopólio das redes sociais. E sabe quem prega esse estilo de abordagem para lidar com os excessos autoritários de magnatas e de líderes carismáticos? O liberalismo clássico.

Caso Zuckerberg realmente quisesse promover a liberdade, como frisou em sua fala cativante, ele poderia tratar de alternativas muito mais saudáveis, pelo ponto de vista social-político-iluminista. Exemplo: um fundo (determinado por lei), bancado pelas próprias empresas do Vale do Silício, que motivasse a criação de rivais que pudessem disputar mercado – e, logo, poderio – com Facebook, Google e as outras das parcas gigantes da indústria digital.

Ele ainda poderia propor, como já insinuou seu ex-amigo e ex-sócio Chris Hughes, que “redes sociais” integrassem o setor de utilidades da sociedade – ao qual pertencem as companhias, por exemplo, de petróleo, de fornecimento de água e de energia, dentre outras. Se assim fosse, Facebook, Twitter ou YouTube se submeteriam a regras muito mais rigorosas, inclusive as relativas a fiscalização e transparência de negócios, em favor do bem-estar social e político.

Para promover a liberdade global, o rosto mais famoso do Facebook ainda poderia, como sugestão, resgatar outra ideia, esta já defendida por ele em outra ocasião: a da renda universal básica. Ou seja, monopólios como o dele contribuiriam, financeiramente, para alimentar cidadãos cujas profissões, carreiras, utilidades, fossem vencidas de vez pela imposição autoritária do sistema do Vale do Silício de se empreender.

O que isso tem a ver com democracia? Tudo. Afinal, dessa forma, se daria um mínimo poder àqueles mais agredidos por esses monopólios, que têm visto seus representantes sendo enfraquecidos, com efeito mortal em grupos que representam uma série de setores da sociedade – que vai de engenheiros que passam a ser dispensáveis frente à ascensão da inteligência artificial, a taxistas, operários etc.

Com todas essas providências, se ressaltariam as grandes glórias das redes sociais (e são muitas!), diminuindo os danos que têm causado à democracia. Todavia, nada disso fez Zuckerberg. Ele preferiu fingir ser um “Founding Father”, o CEO não só dos EUA, como dos interesses globais. Por quê? Pois se fizesse o contrário, iria doer não só em seu bolso, mas em sua aura magnânima de poder.

Uma pena. Isso porque, se adotasse outra postura, aí sim Zuckerberg poderia começar a se tornar um Benjamin Franklin. Quem sabe um dia a consciência bata e ele mude de postura perante o mundo – e, de preferência, sem querer impor a cultura dos bilionários do Vale do Silício a todo o restante do planeta, de chineses a brasileiros. Isso aconteceu, esse estilo de transformação, com Bill Gates, na última década.

Ah, e o que isso tem a ver com brasileiros, mesmo? Nós somos o segundo maior público das redes sociais e certamente um dos países que mais têm sentido a agressão à democracia representativa, promovida pelo Shitstorm e pelos enxames virtuais.

 

Tecnologia

“Brainrot”, você tem isso? Conheça esse efeito colateral da vida digital

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Termo descreve a “deterioração mental” causada por consumir grandes quantidades de conteúdo de baixo valor, como memes e vídeos sem sentido

 

“Brainrot” pode afetar negativamente as habilidades cognitivas das pessoas
Unsplash/Taylor Deas-Melesh

 

Se você leu meu texto sobre a slopficação da internet, talvez agora você fique um pouco mais assustado. Senta que lá vem a história…

A internet está cada vez mais maluca. Na verdade, não a internet, porque ela sempre foi. Mas, a cada dia que passa, eu me surpreendo com o que as pessoas andam fazendo online, principalmente os jovens.

Se você é millennial, como eu, e tinha uma certa esperança que a próxima geração seria melhor e daria conta de um monte de coisas que não conseguimos, bem… nascer e crescer imerso em redes sociais parece que não está fazendo muito bem, pelo menos na construção de gosto e o que se escolhe consumir online.

Entender minimamente a GenZ (Geração Z) e a Geração Alpha tem consumido boa parte do tempo das minhas pesquisas online. Sacar os movimentos e tentar entrar na cabeça dos jovens é interessante e surpreendente, já que os valores e gostos são completamente diferentes. E olha que pra muita coisa eu sou mais Z que Y.

Mas vamos para o que interessa. Você já ouviu ou viu, em algum lugar, termos como:

  • Skibidi Toilet
  • Level Five Gyat
  • Rizz
  • Fanum Tax
  • Only in Ohio
  • Sigma Looksmaxxing
  • Grimace Shake

Parece erro, palavras sem sentido, mas eles têm aparecido com frequência em uma série de conteúdos virais, mais especificamente memes, e que têm sido atribuídos ao tal do “brainrot”. Se você perguntar para o Google Tradutor, não vai conseguir nada. Já para o ChatGPT, ele traz uma luz. Olha só:

ChatGPT oferece definição de termos que têm sido atribuídos ao "brainrot"

ChatGPT oferece definição de termos que têm sido atribuídos ao “brainrot” / Reprodução/ChatGPT

 

Acho que, com isso, você já consegue ir sacando o que é “brainrot”. Apesar desse termo ser antigo (usado desde 2004), é agora que ele está bombando em redes sociais muito usadas por jovens da GenZ, como o TikTok.

E não é pouco dizer que esses jovens internautas estão obcecados com a tal “brain rot” ou “brainrot”. Tanto que a própria viralização do termo explica muito o que estamos vivendo nos tempos atuais: “doomscrolling“, essa rolagem infinita nos nossos feeds, e também nosso estado online crônico.

Traduzido por “podridão cerebral”, “apodrecimento do cérebro” ou até “cérebro apodrecido”, o termo, ou condição, descreve a “deterioração mental” causada por consumir grandes quantidades de conteúdo de baixo valor, como memes e vídeos sem sentido, que podem afetar negativamente as habilidades cognitivas e a capacidade de pensar criticamente.

Longe de ser um termo médico ou científico, é simplesmente um efeito colateral do nosso comportamento online, principalmente em redes sociais, frequentemente motivado por um desejo compulsivo de se manter atualizado, principalmente com eventos negativos, mesmo quando isso pode ser emocionalmente desgastante ou prejudicial para a saúde mental.

Basicamente, estamos gastando mais tempo e literalmente nos entregando e absorvendo grandes quantidades de informações irrelevantes e de baixa qualidade.

Sem entrar nas questões neurodegenerativas, não precisamos de muito para entendermos que, ao consumirmos conteúdos piores, ficaremos piores. Ou seja, nossos cérebros vão trabalhar com o que recebem. Se consumimos porcarias, vamos pensar em porcarias. Simples assim.

E tem muita gente online falando que já está com “brainrot” só de ter recebido ou passado por certos conteúdos, justamente porque estão muitos expostos a eles. E assim como os “slops” causam uma certa confusão mental, os conteúdos associados ao brainrot também, desassociando imagens ou conceitos de seus contextos reais.

Um exemplo é a imagem de um soldado da Segunda Guerra Mundial com um olhar atordoado, que faz parte da pintura de Tom Lea “That 2,000 Yard Stare“, que é usado em muitos conteúdos meméticos, e que TikTokers dizem ser brainrot.

Popularização e perigos

Fazendo uma pesquisa rápida no Google Trends, percebemos que tivemos uma procura maior do termo em 2005 e 2010, mas, a partir da segunda metade de 2023 até agora, o termo explodiu. E é interessante notar que esses picos estão muito associados à cultura gamer e a jogos que contribuíram com seu uso ao longo da década de 2010.

Inclusive, “brainrot” é uma doença que os jogadores podem contrair no jogo de “2011 The Elder Scrolls V: Skyrim“. Em 2007, ano que muita gente considera o surgimento do termo, ele aparece em posts no X, nos quais os usuários descreviam reality shows de namoro, videogames e certos comportamentos, como brainrot.

Um artigo recente do NYT, Jessica Roy relata como alguns usuários do TikTok até começaram a criar paródias de pessoas que parecem “ter” essa condição, ajudando, assim, na popularização, ridicularização e adoção do termo. E, apesar de não ser um elogio falar que alguém tem brainrot, algumas pessoas demonstram um leve orgulho ao admitir a condição.

Em um quiz recente do BuzzFeed, dava até pra saber se “o seu cérebro está 1000% cozido”. Outra leva de vídeos fala que quanto mais gírias da internet uma pessoa usa, mais brainrot ela tem.

E apesar do humor que tudo isso traz, existe um lado bem ruim. Sabe quando a gente fica obcecado por algo e vê aquilo em todo lugar, ou quando gostamos tanto de um personagem ou uma celebridade e começamos a ficar parecidos com elas? Bem, consumir conteúdos de baixa qualidade pode nos deixar menos preparados a certaz situações e “menos inteligentes”, como colocam os jovens com brainrot. Muitos compartilham nas redes seu medo de ficaram “burros”.

Há muitos pesquisadores que estão se debruçando nesse tema, como o neurocientista Michel Desmurget, que tem um livro bastante controverso, assim como outros que se adentram nesse tema, “A fábrica de cretinos digitais: Os perigos das telas para nossas crianças”.

Esse medo de ficarmos piores cognitivamente é real, porque somos o que comemos e consumimos. A “Geração Touch” e as “crianças de iPad” certamente carregam consequências disso, tanto pela tela e o aumento de miopia, muita quantidade de luz azul, que traz alterações no sono, e por aí vai, até o que é visto, assistido e lido.

Em toda a história da humanidade, acompanhamos as consequências boas e ruins das mais diversas tecnologias que foram sendo introduzidas nas nossas vidas, e se tratando de internet, hoje e sempre, independente da tecnologia em si, sabemos que “gostamos” de certos conteúdos justamente pelo modo como nosso próprio cérebro funciona.

Nem vou entrar nessa discussão, porque isso daria um outro texto, mas, no caso dos memes, eles são divertidos, rola uma conexão emocional positiva com eles, e isso dá uma ajudinha na disponibilidade de dopamina no nosso cérebro. É entretenimento puro e viciante.

Por isso mesmo, existem muitos pesquisadores interessados no assunto, tanto que, nos Estados Unidos, diversas instituições de saúde já estão estudando isso como um distúrbio. No artigo no NYT, é citada a pesquisa do Hospital Infantil de Boston, que chama essa condição de “Uso Problemático de Mídia Interativa”. E ela mostra que, conforme passamos muito tempo online, mudamos nossa percepção do espaço físico para o online, e isso tem consequências.

E a GenAI nessa história?

Brainrot está na moda hoje em dia, assim como a GenAI (inteligência artificial generativa). Mas será que a IA está ajudando a nos levar a um estado de brainrot generalizado?

Se o uso preguiçoso da GenAI pode nos fazer desenvolver menos algumas habilidades ao longo do tempo, não há dúvida. É como foi com a nossa memória, tanto que hoje não guardamos o número do celular de quase ninguém. Claro que nesse cas,o é reversível, podemos treinar e melhorar, graças a neuroplasticidade cerebral.

Mas, assim como a internet está se “slopificando”, ou seja, sendo tomada por conteúdos sem valor sendo gerados sinteticamente, nós também poderemos acabar nos deparando cada vez mais com esse conteúdo, e (por que não?) aumentando o brainrot, assim como nos enganando cada vez mais por conteúdos falsos. As consequências de longo prazo não sabemos, e muito estudo ainda será feito, mas, com certeza, uma coisa pode alimentar a outra.

Deveríamos nos preocupar com o “brainrot”?

Em certo sentido, sim, embora devamos ser cautelosos ao soar o alarme sobre o que impulsiona ou leva ao “brainrot”. É muito fácil referir-se a praticamente qualquer coisa como causadora de “brainrot”, se formos pensar.

A cultura da internet sempre traz questões e termos interessantíssimos que podem nos fazer pensar e desenvolver muitas teorias e conceitos. Brainrot ainda é uma expressão que carece de rigor científico, principalmente para descrever ou quantificar a saúde mental real. Mesmo assim, não significa que devemos ignorar ou minimizar as preocupações que estão no cerne desse termo.

Conheça tendências que sinalizam rumos para o futuro da IA

CNN

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Tik Tok planeja lançar o Whee, plataforma de fotos ‘cópia’ do Instagram

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Na plataforma, será possível manter um feed de imagens, utilizar filtros nas fotos tiradas pelo próprio aplicativo, além de manter um fluxo de conexão de amigos

 

UE abre investigação contra TikTok por possível violação das normas – (crédito: Reprodução/Freepik)

 

O TikTok está trabalhando em seu próprio Instagram, afirmou o site Android Police na terça-feira, 18. O aplicativo, chamado Whee, tem como objetivo o compartilhamento de fotos com melhores amigos – uma mistura da rede de Mark Zuckerberg com o BeReal, de fotos instantâneas e não editadas. O app, que já pode ser utilizado em alguns países, ainda não chegou ao Brasil.

De acordo com as imagens vistas pelo Android Police, o Whee é um app separado do TikTok, mas também mantido pela ByteDance. Na plataforma, é possível manter um feed de imagens, utilizar filtros nas fotos tiradas pelo próprio aplicativo, além de manter um fluxo de conexão de amigos.

Configurações básicas como curtidas e comentários também estão presentes, em um layout bastante parecido com o do Instagram.

“Capture e compartilhe fotos da vida real que somente seus amigos podem ver, permitindo que você seja mais autêntico”, afirma a descrição do Whee no Google Play, loja de apps do Android. “Whee é o melhor lugar para amigos próximos compartilharem momentos da vida”, completam.

O TikTok e a ByteDance ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o aplicativo, mas já é possível encontrar a nova rede social em alguns países em celulares com sistema operacional Android.

Agência Estado

 

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YouTube testa recurso que introduz “notas” de contexto em vídeos

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Testes começarão nos Estados Unidos e serão feitos, inicialmente, com usuários e criadores selecionados

YouTube anunciou, nesta segunda-feira (17), que permitirá em breve que os usuários adicionem “notas” que fornecerão contexto sobre alguns de seus vídeos. Os testes fazem parte de um novo recurso que inicialmente será lançado nos Estados Unidos.

A plataforma convidará alguns usuários e criadores de conteúdo, como parte da fase inicial de teste, para escrever notas destinadas a fornecer “contexto relevante, oportuno e fácil de entender” sobre os vídeos.

As notas, por exemplo, poderão esclarecer quando uma música é uma paródia, apontar quando uma nova versão de um produto que está sendo analisado estiver disponível ou informar aos espectadores quando imagens antigas são erroneamente apresentadas como eventos atuais.

A rede social X, antigo Twitter, possui um recurso semelhante chamado Notas da Comunidade, que permite que colaboradores selecionados adicionem contexto às publicações, incluindo tags como “enganoso” e “fora de contexto”.

O recurso de notas no YouTube será, inicialmente, disponibilizado em dispositivos móveis para usuários nos Estados Unidos e em inglês. Nessa fase, avaliadores externos classificarão a utilidade das notas, o que ajudará a treinar os sistemas, antes de um possível lançamento mais amplo, disse o YouTube.

Fátima Bernardes lança canal no YouTube após deixar Globo

*Com reportagem de Yuvraj Malik, em Bengaluru

 

CNN Brasil

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